Menos um! — Driana Campos

Henrique Sanches
2 min readFeb 15, 2023

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Três semanas atrás, postei o texto da Liliane Alves que ela escreveu junto com a Driana para um desafio de uma imagem e dois textos.

Este aqui é o segundo texto. Texto da Driana Campos!

PACIENTE UM.

São 3h da manhã e incrivelmente está um silêncio sepulcral. Aí você pensa: Mas é sempre silêncioso às 3h da manhã! E eu te direi que não, em um hospital.

Aqui há sempre muito barulho, e não poderia ser diferente no local escolhido para amparar vidas que estão começando e deixando de existir.

— Oi, bem vindo ao quarto que tem sido minha morada há quase um ano. Aqui me tornei amigo de todos e sei que sentirão a minha falta quando eu me for. Isso porque em momentos oportunos, dou a eles informações do presente e futuro e por isso me consideram um velho vidente. Eles acreditam que quem está próximo do fim conseguem enxergar o “outro lado” e isso seria um dom dado aos que estão de partida, mal sabem eles que não existe isso de fim, mas não sou eu quem irá lhes contar.

Silêncio

— São 3:05. Você sabe que está 5 minutos atrasada.

— Não finja que não entendeu pois além de mim e você não há mais ninguém nesse quarto.

— OK. Então vai se fazer de difícil? Tudo bem, nós temos tempo, não é?

— Eu sei que está aqui parada no canto do quarto. Sei que faço parte da sua lista e está tudo bem. Eu consegui me esconder por uns bons anos, mas enfim ELES me encontraram.

— O que foi isso? Quase pude ouvir seu suspiro de espanto. Eu não tenho mais as lentes, abandonei-as a muito tempo, foi o preço a pagar pela minha liberdade, mas antes de abandoná-las eu conheci você, te observei por muito tempo, sei que está começando a questionar o sistema, e soube a muito tempo atrás, que estaria aqui hoje. Inclusive sei porque se atrasou. Doeu apagar aquela menininha! Foi assim comigo também. Passei a odiar o que fazia e um dia parei de fazê-lo, mesmo sabendo que isso poria fim aos meus dias. Mas foi aí que começou a diversão, pois a quantidade de tempo que tinha deixou de importar e como eu viveria esse tempo se tornou a minha única preocupação.

— Nosso tempo acabou, está na hora de me deleter. Sei que tem perguntas mas eu não posso respondê-las. Estamos sendo observados, mesmo que eles julguem estarem lendo isso na tela do celular.

A única coisa que posso te dizer é: Você começa a se libertar quando começa fazer as perguntas certas.

— Ah! Aí está você!

— MENOS UM.

Muito bom, Driana… obrigado!!!

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