Entrevista de Terça — Liliane Alves
Entrevista de Terça!¹
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Olá Pessoal…
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Nossa convidada para a entrevista de hoje, é a Liliane Alves do perfil @liliane.a.alves no Instagram.
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Gente, a Liliane tem um fôlego que não acaba mais… ela divide o tempo entre ser mãe, esposa, professora, jardineira, leitora, astrônoma amadora, artesã e artista plástica… e além disso tudo, ela também é escritora!
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Dentre seus livros publicados tem um conto de ficção científica!!! Para saber mais, só lendo a entrevista!
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Bora lá, conhecer um pouco a @liliane.a.alves
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Seja bem-vinda, Liliane!!!
Obrigado por topar participar desse projeto!!!
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Ah, eu que agradeço pela oportunidade, meu querido. É um prazer pra mim enfeiar seu feed, rsrs… Brincadeiras à parte, fiquei bem feliz com o convite.
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Fico feliz por você ter aceito!!! Liliane fala para a gente, o que a literatura representa para você?
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Literatura é necessidade. Leio pra descansar. Por prazer.
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Entendo a leitura como melhor caminho para uma sociedade saudável.
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O sujeito aprende a pensar com a própria cabeça. Em outras palavras, o ser aprende a ser.
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Gostei disso, onde o ser aprende a ser… Conta uma coisa, você lê bastante? Sempre leu muito? Quando suas aventuras pelo mundo das leituras começaram?
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Leio todo dia sem falta. Desde antes de aprender a ler, eu já era viciada em leitura.
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Minha mãe lia para mim todas as noites pra dormir, e ela teve a péssima ideia de me apresentar os gibis do Maurício de Souza e isso ocupava os dias.
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Péssima ideia pra ela, porque nunca mais a deixei em paz.
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Acontece que não tem graça alguém ler um gibi pra gente, então tratei logo de aprender a ler e não parei nunca mais.
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Eu tinha 4 anos e meio quando aprendi. E eu lembro quando caiu a ficha da lógica das letras, e acho que virei professora para ver as fichas das crianças caírem.
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Não sei se você já viu a cara que uma criança faz quando descobre as conexões grafema/fonema, mas é a visão mais absurdamente linda que existe, além de viciante.
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Não tem dinheiro que pague.
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Despertar o prazer pela leitura nos meus alunos é meu objetivo de vida.
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E em minha filha também, mas acho que o bichinho da leitura já mordeu nela bem cedo. Leio para minha pequena desde que ela morava na minha barriga, e ela também adora os livros.
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A Lia tem 3 anos e tenho que ler todo dia pra ela, se eu esqueço, ela cobra.
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Concordo com você… incentivar a leitura é uma coisa muito boa, principalmente nas crianças. Tenho um menino de 07 anos e a gente lê todo dia antes de dormir também. No seu perfil, você costuma falar de literatura também?
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Tá de parabéns! Ler para as crianças é a melhor forma de incentivar e de compartilhar um tempo de qualidade, e isso ajuda muito na aprendizagem.
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Quanto ao meu perfil, ele é uma bagunça, rsrs. Recentemente tenho tentado dar uma organizada, mas tem de tudo lá.
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Na verdade, meu feed é um retrato da minha essência. Tem partes de mim bem específicas e singulares, e claro, tem livros que eu gosto muito e acho que as pessoas deveriam conhecer, tem também divulgação dos meus livros, tem pessoas, lugares e momentos especiais…
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Enfim, um pouco de tudo, cada coisa à sua forma.
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Você falou que gosta muito de ler, então, conta para gente quais gêneros literários você mais gosta?
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Depende do momento. Tem época que só quero ler fantasia, depois de um tempo leio clássicos, daí passo pra distopia, agora tô na pegada ficção científica.
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Não necessariamente nessa ordem. Acabo lendo de tudo, romance, thriller, terror, não ficção…
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Mas o que leio todo santo dia é infantil com minha pequena. Tem dia que vai uns 10 livrinhos.
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Ano passado entrei pra um grupo de autores nacionais, tô sempre em alguma LC (ou algumas), e comecei a ler os livros dos colegas.
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Tenho lido só nacionais desde dezembro de 2020, e eu fico panfletando os que gosto.
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Tem tanta coisa boa, que as pessoas precisam conhecer, e que infelizmente não ganham tanto espaço nas mídias, né?!
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Isso tem que mudar. Precisamos valorizar o que temos de bom nesse país.
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Agora, uma pergunta difícil, rsrsrs… E livros preferidos, Liliane, você tem? Se você tivesse que escolher alguns livros, quais seriam?
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Nossa, difícil mesmo. Bom, acho que cada livro é uma experiência diferente, e depende do nosso momento e interpretação, mas vou citar alguns pelo grau de relevância que tiveram pra mim.
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Foram livros que me marcaram profundamente. Vai ficar muita coisa importante de fora também, mas lá vai.
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O Silmarillion (JRR Tolkien) — Acho que o mestre Tolkien nem deveria entrar em listas. Dificilmente outro ser mortal conseguirá algum dia chegar aos pés dele, e qualquer livro dele é espetacular. Mas colocaria toda a obra dele no número 1 se possível.
1984 (George GÊNIO Orwell). Amei e me impactou de verdade, custei sair da ressaca;
A paixão segundo GH (Clarice Lispector). Esse livro é uma experiência inexplicável. Na verdade, qualquer coisa da Clarice me atravessa.
As crônicas de gelo e fogo (G.R.R. Martin). Foi daí que tirei o nome da minha filha, Liana, pela importância da personagem, e porque é um nome bonito e nada comum;
Flores para Algernon (Daniel Keyes). Esse livro acabou comigo!!!;
O Nome do Vento (Patrick Rothfuss) o temor do sábio junto. Esse livro me fez viajar e esquecer onde eu estava;
Trilogia Fundação (Isaac Asimov) nem vou falar da genialidade das obras, mas teve coisa séria que me peguei rindo, porque li O guia do mochileiro das galáxias bem antes, e não dava pra não lembrar. Aliás é uma ótima paródia (perdão, Sir Asimov);
A mulher que escreveu a bíblia (Moacyr Scliar). Pelo destaque do tema feminismo, além de ser hilário;
A ilha perdida (Maria José Dupré) por ter marcado o fim da minha infância e ter sido o início do mergulho sem volta no gênero Aventura;
O pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry) porque leio todo ano e foi o 1° que li em voz alta pra minha barriga (grávida).
Extra
A Vespa Esmeralda (Maikel Rosa — @escritor.scifibr) esse livro me deixou tão impressionada que sonhei;
Números Perfeitos (Leonardo Born — @leonardo_born) pela inteligência do autor de fazer uma história tensa deslizar com tanta leveza, e trazer o tema do autismo, que sempre me intrigou.
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Já tive alunos autistas e depois desse livro, vou olhar diferente pra eles, melhorando minha prática tanto profissional quanto pessoal;
Sara (Fernando Rômbola — @fernando.rombola) porque me identifiquei muito com a infância da personagem e isso fez um cisco cair no olho.
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Numa resposta anterior você falou em grupos de leitura coletiva, eu também estou em vários grupos. O que você acha desses grupos? Existe trocas significativas? São um incentivo para a leitura?
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Acho que valoriza a experiência da leitura, especialmente quando temos o privilégio de nos comunicar com os autores.
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Só temos a ganhar com a troca de opiniões, em todos os aspectos da vida, aliás.
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É assim que se aprende tudo na vida, com a literatura não é diferente.
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Mudando um pouquinho o foco, vamos falar de Astronomia? Como é ser uma astrônoma amadora? Conta mais? Como a Astronomia entrou na sua vida?
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Minha mãe me mostrou as 3 Marias ainda criança, e beeem mais tarde descobri se tratar do cinturão de Órion, e as 7 Marias, ela chamava assim, eu só enxergava 4 devido a miopia, e também beeem mais tarde descobri se tratar da plêiades.
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Mas foi numa festa que um amigo me mostrou a constelação de escorpião, e eu vi aquele desenho se formando ligando os pontinhos, e me apaixonei. Eu tinha 18 anos.
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Depois disso comecei a comprar revistas de astronomia com mapa das constelações, comprei e ganhei enciclopédias de astronomia, livros do Hawking, vi cosmos e um monte de vídeos e documentários, virei fã do Sagan e do Tyson, lia tudo que eu via pela frente sobre nebulosas, matéria escura, buracos negros…
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Depois fiz alguns cursos puramente por prazer: 2 no Observatório Nacional do Rio de Janeiro EAD, astrofísica geral e cosmologia, e fiz mais 2 presenciais na Universidade Federal de Uberlândia (minha cidade) voltados para professores.
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Foi maravilhoso, bem didático pra aprender a ensinar as crianças. Ganhei um telescópio em 2015 e já quase tive hipotermia virando a madrugada brincando com ele.
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Sou dessas que pára no meio da rua pra tirar foto da lua e de pôr do sol. Já perguntaram se eu era autista por conversar com as pessoas olhando pro céu.
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Já passei madrugadas vendo chuva de meteoro em áreas rurais. iiiiiii tem muita história…
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Sobre valorizar a escrita nacional, principalmente a independente, tenho visto muitos movimentos, muitos grupos, como os SaifersBR por exemplo… é importante essa união entre os escritores? Você vê isso com bons olhos?
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É muito importante sim. Não vejo como concorrência e sim como cooperação. Somos muitos, e não há como ser escritor sem ser leitor, então a gente vai valorizando os trabalhos uns dos outros.
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E não custa nada indicar um aqui, repostar outro ali… Chegamos longe juntos. Melhor do que sozinho sem sair do lugar.
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Na sequência da pergunta anterior, será que nós brasileiros estamos lendo mais autores nacionais? Ou é só impressão?
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Eu também tive essa impressão. Tomara que seja verdade. Se a gente não se der o valor, quem vai dar?
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Liliane, conta um pouco para gente sobre você escritora. Como você consegue conciliar seu tempo para escrever? O ato de escrever, é fácil para você? É mais planejamento ou mais inspiração?
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Escrever é quase mania desde criança quando eu fazia quadrinhos de Caverna do Dragão e escrevia em diários. Isso nunca parou.
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Não consigo escrever todos os dias, pois meu tempo livre é curto, então faço escolhas. Ou assisto filme ou série. Ou leio, ou escrevo. Escrevo, ou durmo.
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No dia a dia faço mais de uma coisa ao mesmo tempo, se não, não dá tempo de quase nada. O problema é que geralmente começo várias coisas, e depois venho terminando.
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Às vezes acaba ficando coisas sem terminar, tal qual um relojoeiro displicente que deixa sobrar parafuso depois da peça pronta. Mas geralmente escrevo de madrugada, quando a casa tá silenciosa.
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O que me inspira é tudo que assisto, ou leio, ou sonho, ou conversas também, tudo vira ideia. Anoto e depois vou amadurecendo a ideia, e se eu achar que vale a pena, escrevo.
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Geralmente penso primeiro no final, mas não planejo muito. Vou deixando acontecer, e pode ser que o final previsto mude também.
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O que deixo planejado e anotado à parte, são as características dos personagens, pois acabo esquecendo. Até porque já aconteceu de escrever duas histórias ao mesmo tempo, aí se não anotar, confundo.
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No mais, assisto a história na minha cabeça e transcrevo.
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Ler dois livros ao mesmo tempo, já gera uma confusão entre os personagens… imagina escrever dois livros ao mesmo tempo!!!! Rsrsrs Ainda sobre ser escritora, você sonha em viver da escrita? Aqui em nosso país este é um sonho possível?
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Olha, não tenho essa ilusão. Nunca tive a pretensão de ser escritora. Escrever faz parte do que sou. Se eu ganhar algumas moedas por isso, já estou no lucro.
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Mas seria digno a escrita ser mais do que um hobby. Quem sabe, qualquer dia desses, nossa distopia real vire mais do que um sonho justo.
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Espero que sua escrita consiga te levar para além do hobby!!! Você já publicou seus textos, não foi? Conta um pouco sobre seus livros… o que você já escreveu e publicou?
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Eu sempre escrevi, mas demorei ter coragem de publicar.
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Escrevi o ‘Pérolas Amarelas’ há quase 5 anos e só agora ele vai ser lançado pela editora Modo.
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Acabei publicado primeiro ‘A girafa e a melancia’ de maneira independente pela Uiclap, e a história nasceu de dentro do livro Pérolas Amarelas.
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Acho que o Pérolas é meu escrito mais íntimo e cru, mas foi ele quem abriu as portas da literatura pra mim, assim eu venho aprendendo sobre esse mercado editorial e também passei a ter mais coragem de mostrar meus textos.
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Participei também de 2 antologias, uma foi ‘Cartas de amor, um tributo a Abelardo e Heloísa’ pela editora Panóplia, escrevi ‘Para Jane’, e o outro foi de ficção científica, no livro ‘Sob a luz do amanhã’, pelo projeto ’Em um mês um conto’, mas tanto o e-book ‘Cartas de amor’ quanto meu conto ‘Poeira espacial’ estão disponíveis pra ler de graça no link da minha BIO.
Você falou ali em cima sobre suas inspirações em filmes, séries e em suas leituras… Sobre aquele conto de ficção científica, de onde veio sua inspiração? O conto ficou de uma sensibilidade tão marcante. Ele vai ser publicado, não é?
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Ah… O Poeira espacial veio de uma viagem minha, quando entrei no projeto “Em um mês um conto”, e o desafio ‘sci-fi’ surgiu, eu fiquei vagando pelo espaço, feito o Lewis de “Números Perfeitos” do @leonardo_born, e olha que eu nem tinha lido ainda hehe.
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Mas aí eu quis trazer a ideia principal do Pérolas Amarelas onde a personagem principal tem Alzheimer e olha pra trás na vida e fica presa em um mundo de ‘se’, que acaba esquecendo de tudo, menos daquilo que ela precisava pra poder seguir em frente.
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Aí pensei nesse mundo do ‘se’. E se isso… E se aquilo… Aí não deu outra, o comandante Zion também tem a neura do ‘se’.
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Talvez seja eu. Ou talvez todo mundo seja assim… Eu gosto de escrever coisas que misturam num caldeirão: metáforas, ironias, reflexão e o inconsciente, e pra isso vai uma generosa pitada de drama.
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Aí fiz um mix com o pouco que eu conheço sobre universo, viajei em coisas que ainda não foram inventadas ou descobertas, claro que filmes como ‘Interestelar’ inspirou também, aliás q filmaço né?
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O livro “Sob a luz do amanhã” está sendo editado e diagramado pra ser publicado físico e e-book. Tem vários contos incríveis, li todos, são autores muito talentosos participando.
Que bacana, já quero conhecer o “Sob a luz do amanhã”. E novos projetos, Liliane? O que tem planejado para o futuro da sua escrita?
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Escrevi recentemente 2 livros infantis que vou ilustrar e publicar em breve, e ambos vieram de dentro de outras histórias que também estou terminando pra publicar.
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Só vou dar um spoiler de leve: um é aventura urbana e o outro uma ficção científica.
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Se vai ficar bom não sei, mas tô amando escrever. Tem outros começados e parados, mas pretendo retomar e terminar tudo até no final do ano.
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(Acabei de estabelecer essa meta e agora tô com medo haha)
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Boa sorte em todos os seus projetos, minha amiga. Sei que encontrar tempo para responder tudo isso no seu dia a dia não foi fácil, mas você topou participar desse projeto de entrevistas…
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Nem sei como te agradecer por toda gentileza e paciência, só posso dizer que foi uma honra conhecer um pouco mais das suas leituras e sobre sua escrita. Você ganhou um fã!!! Agora, esse espaço aqui é seu… Fique à vontade, a palavra é sua. E mais uma vez, obrigado!!!
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Nossa desse jeito eu fico até emocionada, rsrs. Eu que agradeço Henrique, você é muito gentil.
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Quanto ao tempo, minha receita é fazer escolhas e ir um degrau de cada vez, já aprendi que não adianta querer fazer tudo ao mesmo tempo e nem ter pressa, então vamos fazendo ajustes e no fim, acaba dando tudo certo.
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Foi um prazer participar, adorei falar um pouco mais de mim, e assim como muita gente me inspira e nem sabe, quem sabe não consigo inspirar alguém, né?
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Quero também dar um beijo em cada leitor e leitora que já me leram e nos seus leitores aqui do IG, e dizer mais uma vez: leiam livros nacionais e leiam para as crianças.
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Um beijão e até a próxima.
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1 — Disponível em: <https://www.instagram.com/henriquepsanches> Publicado no Instagram em 10 ago 2021.