Entrevista de Terça — Dayane Celestino

Henrique Sanches
9 min readSep 13, 2022

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Day Celestino — @daycelestino

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Entrevista de Terça, postada no Insta no dia 13/09/2022.
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Olá Pessoal.
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Nossa entrevistada de hoje é a escritora Dayane Celestino.
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A Day é autora de ficção especulativa e tem livros e contos publicados neste gênero literário. Ela adora escrever textos incômodos que também podem ser apreciados no seu perfil de microcontos, @microcontei. Nesta entrevista falamos de leituras e escritas, de gostos literários e muito mais.
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Bora lá, conhecer um pouco da @day_celestino
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Dayane, bem-vinda!!!
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Obrigado por topar participar desse projeto!!!
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Oi, galera! Obrigada, Henrique, por me convidar. Estou muito feliz pela participação.
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P1 — Dayane, como andam suas leituras? Você tem o hábito de ler bastante?
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R1 — Eu leio bastante, sim, mas mais coisa de trabalho do que de lazer. Eu sou linguista e sou docente na área de Letras na Unicamp, então grande parte do meu trabalho é ler!
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Leio muitos trabalhos acadêmicos e textos de alunos, orientandos… Muito! Mas em termos de leitura mais de lazer, eu vou um pouco mais devagar.
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Na pandemia consegui ler mais, mas este ano estou mais sossegada. Li até agora uns oito contos avulsos e uns três romances, além de estar com algumas leituras em andamento, porque tenho o hábito de ler algumas coisas ao mesmo tempo.
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P2 — E suas aventuras com a leitura, começaram como? O que você lia quando começou?
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R2 — Nossa, comecei com uns 4 anos de idade! Assim que eu comecei a formar sílabas já queria ler hahaha.
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Lembro de ter um gibi da Turma da Mônica, aos 5 anos, que eu não sabia ler, mas que eu simplesmente decorei e fingia ler.
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Mas ler, ler mesmo, comecei por volta dos 10 anos, lia muitos paradidáticos, contos de fadas, poemas e trechos soltos de textos que eu encontrava dentro de antigos livros didáticos que eram dos meus tios.
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Dos 11 aos 14 eu comecei a ler um pouco de literatura brasileira e muitos paradidáticos de literatura infanto juvenil (adaptações da série Reencontro eu simplesmente amava, li bastante coisa da série vagalume e Pedro Bandeira era muito frequente na minha estante).
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Aos 13 anos, acho que tive a primeira virada para uma literatura mais adulta, quando a professora pediu para ler Vidas Secas. Lembro bem de ter sido “uma paulada”. Claro que perdi vários significados, não tinha idade para entender a grandeza toda na época, mas ainda assim acho que esse livro mexeu com a minha cabeça ali naquela idade em vários sentidos.
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E meu livro de coração dessa fase é bem mais leve: é o Droga da Obediência. Amo até hoje.
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P3 — Quando você fala de leitura por prazer… entre suas leituras, quais são seus gêneros literários preferidos?
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R3 — Não costumo ler “muito” de uma ou outra coisa só, eu vario bem, mas o que leio mais é suspense, sci-fi e ficção contemporânea (tipo aqueles romances meio filosóficos que te colocam a pensar). Também leio muitos contos, avulsos ou de coletâneas.
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Acho que é mais fácil falar o que eu menos gosto. O que eu menos gosto é chick lit, coisas muito românticas…
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P4 — E livros preferidos, Day? Além do Droga da Obediência, você tem os seus preferidos?
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R4 — Droga da Obediência me marcou muito na adolescência, né? Agora livro de gente grande mesmo, tenho dificuldade de listar apenas alguns…
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De todo modo, vou fazer uma lista aqui dos meus top 10 do momento, lembrando que essa lista sempre muda. Acho que a cada entrevista ela está diferente.

  1. Matadouro 5, do Kurt Vonnegut.
  2. Antes do Baile Verde, da Lygia Fagundes Telles.
  3. Ensaio sobre a Cegueira, do José Saramago.
  4. São Bernardo, do Graciliano Ramos.
  5. Androides sonham com ovelhas elétricas?, do P. K. Dick.
  6. Cem anos de solidão, do Gabriel García Marquez.
  7. E não sobrou nenhum, da Agatha Christie.
  8. Dom Casmurro, de Machado de Assis.
  9. Fique Comigo, de Ayobami Adebayo.
  10. O vampiro Lestat, de Anne Rice.

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P5 — Olha essa lista!!!! Coisa linda demais!!! Têm Machado, Fagundes Telles, Saramago, Graciliano… e não tem como não notar, têm sci-fi também!!! Se a gente falar de ficção científica nacional, você conhece um pouco? Já leu alguma coisa? Conta pra gente!
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R5 — Infelizmente, eu tô falhando nesse aspecto! Mas é mais por causa da falta de tempo mesmo. Eu leio muito a produção nacional da literatura de gênero, mas mais no suspense e terror, algumas coisas no “insólito”… Talvez porque eu esteja na Aberst, como associada e aí isso facilita o contato com os autores e também porque acabo passando na frente da fila os livros e contos dos amigos, né?
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Mas de sci-fi nacional eu li e curti muito, muito mesmo o Ester (que é meio entre um conto e uma novela), do Fernando Rômbola e adorei As 220 Mortes de Laura Lins, do Rafael Weschenfelder.
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Na minha lista/fila de leitura atual, eu tenho alguns sci-fis nacionais e dentre eles destaco Senciente nível 5 (Carol Chiovato), A Vespa Esmeralda (Maikel Rosa) e Não esqueça (Carol Façanha).
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Espero conseguir consumir mais sci-fi no geral e principalmente nacional. Que eu tenha mais tempo!
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P6 — Dayane, no seu perfil do Insta, você fala bastante sobre literatura, não é? Quando você criou o @day_celestino, já tinha o objetivo de falar sobre suas leituras e sobre sua escrita?
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R6 — Não, era apenas um perfil pessoal e depois comecei usar mais para divulgar minhas histórias, mas eu nem falo tanto de literatura.
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Acabo só divulgando meus contos/livros mesmo e colocando uma ou outra leitura que teve destaque para mim.
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P7 — Lá no início da entrevista, te apresentei como escritora. Conta um pouquinho pra gente sobre ser escritora. Você sempre quis ser ou você foi virando escritora?
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R7 — Na adolescência eu escrevia poemas. Que hoje considero bobos.
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Depois comecei a esboçar uns contos que nunca davam em nada. E apenas de 2017 para frente que eu comecei a realmente querer escrever e mostrar para as pessoas o que eu escrevia, embora livros e literatura sempre tenham sido parte da minha vida.
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Hoje, embora a escrita seja um hobby para mim — porque não é o que paga meus boletos –, é algo que levo muito a sério e me considero escritora mesmo, profissional.
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Não profissional no sentido de que vivo disso, mas no sentido de que levo a sério todo o processo criativo e a publicação.
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P8 — E essa transição de leitora pra escritora foi tranquila? Você consegue conciliar “numa boa” estas duas partes em você?
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R8 — Sim, foi tranquilo, porque, como eu disse, eu sempre vivi em meio a livros e textos.
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Fiz faculdade de Letras e até meu mestrado foi em poesia (na área de linguística, com semiótica/linguística aplicada à análise de poesia).
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Sempre estudei muito literatura e teoria literária, fiz faculdade na USP e isso era bem forte lá. Acho que o mais difícil foi transicionar de “crítico” ou “analista” literário para escritor e de acadêmica para escritora.
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Acho que passei anos com vergonha de escrever com medo do julgamento do pessoal das Letras. E, principalmente por gostar de escrever ficção de crime e especulativa, tinha “medo” do que pensariam.
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Com a idade, pus essa vergonha no bolso e desencanei. Tem espaço para todo mundo. Quer escrever “cult”? Vá lá e seja feliz! Quer escrever algo mais “de entretenimento” (dentro do que o mercado costuma chamar “de gênero”)?
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Bora lá! Tem leitor para tudo, o que importa é ser sério e primar pela qualidade.
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P9 — Já li seu conto de ficção científica, “Vizinhos” em 2020. Para quem não conhece, a história dele é sobre o que? Sem spoilers, rsrsrsrs
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R9 — Esse conto foi finalista do Prêmio Odisseia em 2021, na categoria narrativa curta de ficção científica. Antes disso, poucas pessoas sabiam que ele tinha um quê de sci-fi.
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Ele é um texto de ficção insólita com muito suspense. Saber que ele tem algo de sci-fi estraga um pouco a surpresa da história, na verdade!
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Mas, basicamente, ele fala de um cara que está abalado psicologicamente por um divórcio, atolado de trabalho, e lutando para deixar o vício em drogas e que de repente percebe que de um mesmo apartamento do seu andar — o 45 — saem, a todo momento, diferentes vizinhos que não conhecem uns aos outros.
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Ele começa a questionar a sua sanidade, pensa em mil possibilidades para aquele mistério… No fim das contas, é mais um thriller psicológico!
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Isso porque ao final da história, tem uma resolução oferecida ao leitor, mas também pode ter mais de uma leitura possível, ligada à sanidade ou não do protagonista. É difícil falar sem spoilers porque é só um conto, né?
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Então, ele vale mais pela experiência mesmo, de ir vivendo a angústia do Marcos, o protagonista, junto com ele. E tem uma referência política também, no finzinho, que considero a cereja do bolo.
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P10 — Como foi essa experiência de escrever uma FC? Você sempre quis fazer um texto assim?
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R10 — Como eu disse acima, não é bem um texto de FC… é meio que um detalhe apenas que o faz ser.
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Se eu falar mais, estrago a leitura. Mas eu gostaria de, um dia, escrever um sci-fi comme il fault.
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Por enquanto, estou me dedicando mais à suspense e ficção insólita.
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Eu gostaria muito de escrever uma distopia, adoro lê-las, mas acho um gênero bem difícil de escrever.
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P11 — Por falar em livros, quando a gente faz uma busca na Amazon (por D. Celestino) aparecem vários livros seus. Daí te pergunto, sobre qual gênero literário você mais se identifica na hora da escrita? Destes livros qual foi o mais difícil de escrever? Por que?
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R11 — Eu tenho apenas uma narrativa longa, que não seja conto, o Operação Plus Size, que é uma novela policial (ou romance policial, segundo algumas classificações, eu não ligo hahaha).
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Tenho dois livros de contos e o resto são contos avulsos (tecnicamente, nem poderíamos chamá-los de “livros”).
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A maior parte do que escrevo é Ficção de Crime ou Ficção Especulativa (aqui dentro de FE, vou mais para o terror psicológico ou para o insólito).
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Mesmo meus microcontos (que publico no perfil @microcontei no Instagram) vão para o lado de algo obscuro, sempre em crime ou insólito, na sua maioria.
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Ah, vale dizer que tenho um livro desses microcontos, que não aparece na Amazon. Ele se chama “Pedaços do Escuro” e foi publicado pela Editora Patuá.
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P12 — E sobre planos futuros, Dayane… quais são seus próximos passos na literatura?
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R12 — Tenho um livro para terminar. É um livro policial com um quê de sobrenatural e um pé no sci-fi (uma salada, que não sei se vai dar certo); tenho uma novela em andamento, que é uma novela policial também.
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Vou publicar um romance fix-up sobre uma história de fantasmas, mas ainda não sei quando.
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Dois contos desse fix-up já estão publicados. São os contos A Valsa e Sangue e Sálvia Branca que se passam na cidade fictícia de São José dos Desalmados.
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Também vou juntar alguns contos já publicados numa edição só, com livro físico.
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E pretendo continuar enviando textos para antologias. Ah, num futuro breve quero fazer uma continuação para o Operação Plus Size.
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P13 — Dayane, é isso. Chegamos aos finalmentes. Se não te agradeci antes, quero aproveitar e fazer agora. Obrigado pela gentileza em participar dessa entrevista. Este espaço agora está à sua disposição. Pode mandar seus recados, fique a vontade
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R13 — Queria apenas agradecer o espaço. Sei que a maior parte de quem te segue deve ser do sci-fi, espero não ter decepcionado muito, mas fica o convite para conhecer o meu trabalho, embora ele vá mais para outros lados da ficção especulativa.
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Um abraço a tod@s e, para quem aí você já leu Vizinhos, meu obrigada! Se vc curtiu, vai lá fazer uma avaliação na Amazon.
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Um abraço e obrigada!

Obrigado, Dayane!!!

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Henrique Sanches
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